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Comigo, sem mim

 É difícil lutar com o que há de mais pessoal em mim. Eu escrevo como uma luta e vou me privando das palavras, caçando até definitivamente extinguir o discurso. Afinal, o que é esse espaço?
 Perguntas como essa vem me acompanhando desde que eu comecei a escrever em blogs, contudo ainda me perco por falta de respostas. A exigência só cresce, enquanto a qualidade... Sou um autor medíocre e pouco dedicado. A literatura passou de arte para canalhice, ainda assim, eu escrevo. 
 E, de tanto insistir, recordo-me: Eu estava a escrever sobre o espetáculo Sem Mim, do Grupo Corpo, que recentemente me emocionou profundamente no Grande Teatro do Palácio das Artes... Escrevia como quem caminha para um muro, sem desvios. Às vezes se percorre caminhos sem saída para escrever, descrever. Eu estava a escrever sobre o espetáculo Sem Mim, do Grupo Corpo, que recentemente me emocionou profundamente no Grande Teatro do Palácio das Artes... Escrevia de tal modo aprisionado, que se expirava o movimento.  Às vezes me aprisiono sem saber e sigo tonto, perdido.
 E, enfim, recordo-me agora sem dificuldades de todo o espetáculo... O Corpo e seus movimentos, as cores, o balanço do mar, as redes... Os duos e as belíssimas cantigas recém resgatadas de lá de trás do fundo do outro lado do oceano. José Miguel Wisnik sempre nos deixando inebriados com seu trabalho. A pulsação maravilhosa, o movimento reverberando por toda a coluna... Eu fiquei entorpecido.  Ao fim, era naufrago recém devolvido à praia pela ressaca do mar de Rodrigo Pederneiras.
 Lembro-me do primeiro espetáculo que assisti do Grupo Corpo. A coreografia apresentada era Ímã e tudo me encantou. As polaridades, o negativo e positivo, o atrair e repulsar... As cores da magnífica figurinista e arquiteta Freusa Zechmeister...
 A dança contemporânea me conecta com o que há de  melhor e mais libertário em mim. Já era assim quando eu só assistia. Como expectador, eu comecei frequentando as apresentações de Ballet Clássico da minha prima Ana Clara. Mais tarde conheci a Jéssica Theodoro, formada em dança pelo CEFAR. Foi ela quem me apresentou a Dança Contemporânea e foi paixão à primeira vista.
 Começar a dançar já foi um segundo passo. E surgiu por puro acaso. Em fevereiro de 2011 eu fiz a minha primeira oficina com a bailarina Dudude Herrmann e, até então, o meu interesse era aumentar a expressividade do meu corpo. Mas quando me vi, eu estava dançando com tanta vitalidade, como eu raramente tinha vivenciado. Esse primeiro contato ainda me rendeu uma primeira performance virtual: The Performer.
 Em tempos como esse, em que me digladio para escrever um simples texto, é que vejo o quanto essa arte se faz necessária em minha vida. Para mim, a dança é uma das mais sublimes expressões do espírito. Ela caminha lado à lado com a literatura, o teatro, as artes plásticas, a música... Aproveitando o ensejo, esses dias eu estava me recordando do Reveillon 2011/2012. Eu estava lendo Rilke na época e uma passagem do livro me marcou muito... Sendo assim, despeço-me com essa válida passagem resgatada da memória:

"no restante, deixe a vida acontecer. Acredite-me: a vida tem razão em todos os casos".

Rainer Maria Rilke

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